A Maldição de Quira

Mulher, aqui está minha maldição – você perderá sua magia e sua beleza, para que assim, não enfeitice mais nenhum homem. E se, apesar de sua repugnância, o seu amor ainda for correspondido, uma doença fatal possuirá todos os seus amados e eles perecerão a seus pés. Esse será seu destino, enquanto minhas palavras soarem em seus ouvidos.

Júlia acordou com aquelas palavras ecoando em sua mente. Todas as noites ela sonhava a mesma coisa. Todos os dias ela ouvia aquelas palavras, e ela sabia que a maldição ainda perdurava.

Morava sozinha no cubículo que ela chamava de apartamento. Era uma suíte ligada a uma cozinha-sala. Não que ela realmente se importasse com o tamanho ou beleza do lugar. Ele servia ao seu propósito muito bem.

Ao perceber que a dona estava em pé, sua gata preta não hesitou em lhe pular no colo para pedir algumas esfregadas. Júlia sorriu, coçando-lhe o queixo com carinho, para depois se levantar da cama pequena para começar um novo dia.

Olhou para o espelho da penteadeira e sorriu. Seus olhos verdes vivos miraram seus cabelos castanhos, vistosos e cacheados e sua pele lisa e macia. Bom dia, Quira. Ela se deliciava com a verdadeira aparência. Seus lábios eram naturalmente rubros e cheios e seu queixo pontudo completava a feição feminina. Ela suspirou de saudade.

Com um olhar triste, levantou-se para se vestir e fazer o café da manhã. Na pequena cozinha, a geladeira velha enchia o ar com um zumbido levemente irritante. Os armários de parede tinham as portas levemente tortas, a madeira escura e lascada. Era tudo que Júlia podia pagar com seu salário atual. Quira odiava tudo aquilo — sentia falta dos castelos, dos banquetes e da magia.

Mirou-se na porta espelhada da geladeira por apenas um segundo. Ao ver a forma que todos viam — pele manchada e vermelha, lábios rachados e cabelos de vassoura de palha — desviou o olhar. Abriu a porta para acabar com o reflexo e pegar seu café da manhã: pão, queijo e mortadela. Para a gata, colocou um pote com ração.

Ela ouviu o miado reclamado de sua companheira.

— Eu sei ...

Essa história não termina aqui.

O restante de “A Maldição de Quira” está esperando por você.
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